
Nesta manhã, se eu puder, vou fazer uma digressão longe de nosso estudo de 1 Timóteo, e eu gostaria que você abrisse sua Bíblia em Mateus capítulo 6, versículos 9 e 10. É uma porção muito familiar das Escrituras, conhecida por muitas pessoas como a Oração do Senhor. Provavelmente seria melhor ter o título de “oração dos discípulos”. O motivo pelo qual estou dando uma pequena pausa em nosso estudo de Timóteo é duplo. Primeiro, parece-me que temos estado muito tempo em Timóteo, muitos meses agora, falando sobre o ministério da igreja, o papel dos pastores e líderes da igreja e dos servos na igreja, os diáconos, as diaconisas e tudo isso. Estamos, portanto, falando sobre a pragmática do ministério.
Agora me parece que o Senhor disse ao meu coração que precisávamos reservar pelo menos um dia do Senhor e olhar para trás, para toda a questão da adoração. Não queremos ser muito pragmáticos no sentido de perdermos o foco daquilo que somos, e isso é principalmente uma questão de adoração. A segunda razão não foi apenas a percepção de equilibrar alguns dos ensinamentos sobre pragmática, junto com a perspectiva da adoração, mas em minha própria vida pessoal durante o último ano e meio vi Deus responder a orações em mais formas poderosas e evidentes do que nunca em qualquer outra época da minha vida. Então tenho me preocupado recentemente com toda essa questão de oração, avaliando minha própria vida de oração e o que a oração realmente significa. Transmitimos a série sobre a oração dos discípulos no rádio e tivemos uma resposta maravilhosa a isso.
Por causa desse aspecto positivo positivo, simplesmente senti que devemos olhar para trás, para a oração dos discípulos, e reafirmar algumas das grandes verdades que são fundamentais na questão da oração que se relaciona com a adoração. Mas não estava apenas motivado pelo lado positivo, mas também pelo negativo, como sempre estou. Ao ouvir o que está acontecendo no mundo cristão, ao ouvir vários pregadores e professores, ao ler vários livros, ao tentar colocar meu dedo no pulso, por assim dizer, do que está acontecendo nos círculos cristãos, vejo um movimento cada vez maior, do qual todos nós provavelmente estamos um tanto cientes, em torno do evangelho da prosperidade e da confissão positiva, que é realmente muito, muito ameaçador para a pureza e a sanidade da igreja.
Parece que a televisão e o rádio cristão, a televisão cristã e as igrejas estão literalmente recebendo mais e mais e mais pessoas que acreditam que a oração é simplesmente uma maneira de você conseguir o que deseja, que Deus é obrigado a entregar os bens a vocês. Liguei a televisão ontem à noite. Veio um homem chamado Kenneth Copeland ... você provavelmente já o viu. Ele disse: “Escreva para este livrinho se quiser saber como obter saúde e prosperidade”. E quando alguém não tem isso, é porque não descontou o cheque. É isso que eles defendem. Está tudo aí para você. Deus precisa liberar. Ele se colocou nessa posição. Tudo o que você precisa fazer é invocá-lo e reivindicá-lo, e ele é seu.
O problema principal com isso é uma tremenda reversão no papel de Deus e do homem. A Bíblia ensina que Deus é soberano e o homem é seu servo. A teologia do “invoque e reivindique” e o evangelho da prosperidade ensina que o homem é soberano e Deus é seu servo. Nós estaríamos na posição de demanda e de comando, e Deus no papel do servo que deve entregar. Agora, temos de admitir que vivemos em uma sociedade muito indulgente. Vivemos em uma sociedade muito egocêntrica e egoísta. Vivemos em uma sociedade materialista. Que ... as ondas dessa sociedade inundaram a teologia cristã. E a mentalidade de prosperidade, saúde, riqueza, nome e reivindicação, que ensina você a exigir de Deus e que Deus tem de dar, nada mais é do que uma justificativa espiritual para o pecado autoindulgente, nada mais.
Esse tipo de oração não é oração de forma alguma. É uma perversão da oração. Na verdade, faz o que somos proibidos de fazer nas Escrituras. Usa o nome do Senhor em vão. É irreverente. É satânico. É tudo menos bíblico, tudo menos virtuoso, tudo menos piedoso, tudo menos dirigido pelo Espírito Santo. Por isso, acho que para entendermos o que está acontecendo precisamos relembrar toda essa questão de como devemos orar, e o ponto focal disso vem nestas palavras de nosso Senhor Jesus em Mateus 6. “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!” - ou assim seja.
Quando Jesus nos ensina como orar, e este é o modelo de como orar, o início e o fim dessa oração se concentra em Deus, santificando seu nome, orando para que seu reino venha, orando para que sua vontade seja feita. Então as poucas petições que estão listadas lá são seguidas por “teu é o reino e o poder e a glória para sempre, amém”. Portanto, o ponto focal da oração é a glória e o reino, a honra de Deus, a extensão de seu reino. Tudo tem de se encaixar nesse contexto, de forma que em certo sentido toda oração seja controlada pelo reino, pela glória de Deus. Entendo que isso é realmente básico para nossa vida de oração.
Em João 14.13, Jesus disse: “Tudo o que pedirdes em meu nome, eu o farei para que o Pai seja glorificado no Filho”. O que quer que você peça em meu nome, eu o farei para que o Pai seja glorificado no Filho. A oração começa e termina não com a indulgência do homem, mas com a glória de Deus, não com a construção do meu império, mas com o reino dele, não com conseguir o que quero, mas fazendo a vontade dele, não com a elevação do meu nome, mas com a santificação do nome dele. Tudo na oração gira em torno de quem é Deus, o que Deus deseja e como Deus deve ser glorificado. Essa é a soma e a substância da oração adequada. E qualquer oração que se esgote em mim mesmo, que seja indulgente, que engrandeça a si mesma, que busque tudo o que eu quiser não importa o que Deus queira, qualquer oração que induza Deus a me entregar algo porque eu o exigi, usando Seu nome em vão, peca violentamente contra a natureza de Deus e contra a sua vontade e palavra.
Quando essas pessoas vierem com esse tipo de oração do tipo “diga e exija” e disserem que Deus quer você saudável, rico, próspero e bem-sucedido, e parecem ser espirituais, saiba disso. Eles não são espirituais, pois sua preocupação não tem a ver com a extensão do reino e a glória do nome de Deus, mas com a extensão de seu próprio império e a realização de seus próprios desejos. Precisamos entender isso. O erro disso não é um erro periférico. É um erro bem no âmago da verdade cristã, ou seja, a natureza de Deus é atacada.
Vamos voltar ao Antigo Testamento e escolher, por exemplo, três profetas que estavam em situações terríveis. Começando no capítulo 32 de Jeremias, ele está na prisão. Ele tentava pregar para uma nação de pessoas que não queriam ouvir. Quiseram calar sua boca. Não estavam interessadas em nada do que ele dizia. Finalmente o jogam em um buraco. Querem que ele cale a boca. Ele realmente não tem sucesso mensurável em seu ministério. Temos uma de suas orações em Jeremias 32, e eu gostaria que você observasse isso. No final do versículo 16, ele diz: “Orei ao Senhor”. Aqui está sua oração - observe a ausência de quaisquer pedidos pessoais.
“Ah! SENHOR Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa. Tu usas de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos; tu és o grande, o poderoso Deus, cujo nome é SENHOR dos Exércitos, grande em conselho e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas obras. Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até ao dia de hoje, tanto em Israel como entre outros homens e te fizeste um nome, qual o que tens neste dia. Tiraste o teu povo de Israel da terra do Egito, com sinais e maravilhas, com mão poderosa e braço estendido e com grande espanto e lhe deste esta terra, que com juramento prometeste a seus pais, terra que mana leite e mel. Entraram nela e dela tomaram posse, mas não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; de tudo o que lhes mandaste que fizessem, nada fizeram, pelo que trouxeste sobre eles todo este mal.”
Em outras palavras, aqui está um homem em grande angústia, um homem em grande solidão, um homem em desespero em termos de ministério, na medida em que o povo não ouviu o que ele disse. Mas a preocupação do coração de Jeremias é exaltar a glória, a majestade, o nome, a honra e as obras de Deus. Não há preocupação com sua própria dor. Não há preocupação com sua própria situação.
Em Daniel, capítulo 9, Daniel, também em uma situação muito difícil, preso na transição entre dois grandes impérios mundiais, representando um povo destituído em uma terra estrangeira, clama a Deus em oração no versículo 3: “Voltei o rosto ao Senhor Deus para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. Orei ao SENHOR, meu Deus, confessei e disse, ‘Ah, Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; temos pecado’”, e assim por diante. Novamente o início da oração vem com uma afirmação da natureza, da glória, da grandeza e da majestade de Deus. Essa é sempre a perspectiva piedosa. Deus, tu estás no comando. Deus, tu és glorioso. Deus, tu és santo. Tudo o que eu oro, então, é feito de acordo com isso, para que Deus possa realmente ser glorificado.
Jonas, que está na barriga de um peixe, um lugar absolutamente inconcebível, diz no capítulo 2 versículo 7: “Lembrei do SENHOR e subiu a ti a minha oração no teu santo templo.” E essa foi sua oração: “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao SENHOR pertence a salvação!”. Essa é uma oração curiosa quando se está na barriga de um peixe. Mas o Senhor falou com o peixe e ele vomitou Jonas. Foi uma oração para a glória de Deus. Foi: “Obrigado, Deus, por quem és. Bendito és por tua salvação, teu poder libertador.” Não houve súplicas e súplicas. E não havia como reivindicar, nomear e reivindicar nada. Ele simplesmente exalta o caráter de Deus. É esse o cerne do que nosso Senhor nos ensina nesta oração.
Vejamos apenas esses dois primeiros versículos e os quatro elementos iniciais que nos dão o foco na oração como um ato de adoração. A oração é principalmente adoração. É focada em Deus. Não é para me atender; é permitir que Deus seja glorificado. Preciso ter isso em vista nas minhas orações. Minhas orações não são principalmente para o que posso obter, mas para a glória de Deus. Em primeiro lugar a paternidade de Deus, isto é, Deus é pai. "Pai nosso que estás no céu." Essa é a base, aliás, da nossa ousadia na oração. Vamos a Deus porque ele não é apenas nosso Rei, ele não é apenas nosso monarca, ele não é apenas nosso juiz, ele não é apenas nosso criador, mas Ele também é nosso pai. E essa bela expressão nos dá a sensação de acesso e a ousadia de entrar intimamente em sua presença como um filho ou uma filha chegaria à presença de seu próprio pai.
Isaías 64:8 diz: “Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.” Esse é o reconhecimento. Senhor, tu nos fizeste. Tu nos deste vida. Tu nos deste à luz. Tu forneces nossos recursos. Pertencemos a ti por meio do vínculo da vida comum por meio da fé em Cristo. Somos teus filhos. Quando vou a Deus em oração, procuro antes de tudo aquele que é meu pai. Muito diferente dos pagãos que vinham a uma divindade humana vingativa, raivosa, violenta, injusta, cruel, ciumenta e invejosa que eles tinham de apaziguar. Não temos de apaziguar Deus; chegamos ao nosso pai amoroso.
Você se lembra dos versículos 7 a 11 de Mateus 7? “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” Por quê? Por quê? Eis aqui uma ilustração: “Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem!” Em outras palavras, nossa confiança e nossa ousadia em ir a Deus com tudo o que está em nosso coração baseia-se inicialmente no fato de que ele é nosso Pai. Ele é nosso pai.
Esta foi em muitos sentidos uma nova revelação para os judeus quando Jesus disse isso. Eles viam Deus como Pai apenas em sentido nacional. “Meu Pai” é uma expressão individual de uma pessoa para Deus, que como pai pessoal nunca aparece no Antigo Testamento. Se Deus é visto como pai no Antigo Testamento, ele é visto como o pai de uma nação, não um pai amoroso e íntimo de um indivíduo. Só depois que Jesus veio e revelou Deus como o Pai amoroso íntimo é que ele realmente se tornou alguém a quem podemos dizer: "Meu Pai". E o apóstolo Paulo diz em Romanos 8:15 que podemos chamá-lo de “Aba, Pai”, que significa “papai, papai”. Esses são termos de carinho, termos de intimidade. Ele é nosso pai.
Jesus o chamou de Pai mais de 70 vezes no Novo Testamento. Cada vez que ele orava, ele o chamava de Pai, com uma exceção, e foi naquele momento em que ele foi separado de Deus na cruz ao carregar o pecado. Então ele disse: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?" A intimidade foi perdida no momento da morte espiritual, da separação espiritual. Mas Jesus voltou e disse: “Deus é meu Pai e Deus também é seu Pai”. Ele diz isso em João 20, versículo 17. Você se lembra da declaração? Ele disse a Maria: “Não me toques, ainda não subi para meu Pai, ... mas vá aos irmãos e diga-lhes: 'Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e seu Deus.' Ele não é apenas meu Pai, ele é o seu Pai. Portanto, em nossas orações vamos a um Deus que é nosso Pai, nosso Pai amoroso e podemos ir a ele com uma sensação de intimidade. Podemos ir com ousadia e confiança como uma criança iria ao seu pai. Não existe medo.
Essa era uma notícia não apenas para os judeus que viam Deus como muito separado e um Pai apenas em sentido nacional, tanto que os judeus que nem mesmo mencionavam o nome de Deus. Sempre que o nome de Deus aparecia, ele ficava em branco. Eles nem mesmo o pronunciavam. Eles estavam tão distantes de Deus e Deus se tornou amedrontador para eles. Agora acrescente-se a isso o mundo greco-romano e a cultura de lá e se descobrirá que eles tiveram as mesmas ideias. Os deuses que eles criaram eram deuses absolutamente além de qualquer preocupação com a humanidade. Os estóicos, por exemplo, famoso grupo filosófico entre os gregos e os romanos, decidiram que o atributo essencial de Deus era apatheia ... isso significa apatia ... que Deus era essencialmente apático. Não no sentido da palavra em português ... apático significa indiferente. Apatheia em grego significa mais do que indiferente: significa incapacidade de sentir qualquer coisa, sem qualquer pathos, sem qualquer sentimento, sem qualquer emoção.
E eles diziam que pelo fato de o homem sentir amor e ódio, por sentir alegria e tristeza, por sentir contentamento e raiva, o homem é volátil e todos os problemas da vida estão ligados à capacidade do homem de sentir o conjunto de emoções. Portanto, Deus não pode ser vítima dessas coisas. Assim, para separar Deus da luta do homem e torná-lo maior do que o homem, Ele deve ser absolutamente apatheia, além do sentimento de qualquer coisa. Daí os estóicos dizerem que Deus não tem a habilidade essencial de experimentar qualquer sentimento. Mas Jesus disse que isso não é verdade. Você pode ir a ele como seu Pai amoroso e ele responde porque se importa. Ele não é alguém sem paixão, sem emoção ou insensível.
Os epicureus definiram outro atributo que eles pensavam ser primário de Deus, e esse era expresso pela palavra ataraxia. Significa estar perfeitamente sereno e perfeitamente calmo. É a mesma ideia. Eles diziam que se Deus estivesse envolvido nos assuntos do mundo, ele ficaria tão aborrecido quanto todos os homens. Portanto, para Deus manter sua serenidade, ele deve ser absolutamente incapaz de sentir qualquer coisa que perturbe seu estado permanente de calma. Então postularam que Deus seria algum tipo de personalidade sem sentimento, sem paixão, sem emoção, sereno, que não tinha sentimento algum, não importava o que estaria acontecendo no mundo. Já os judeus sentiam que Deus estava tão distante que eles nem conseguiam pronunciar seu nome. Aí Jesus entra em cena e começa a falar da intimidade com que homens e mulheres podem conhecer a Deus.
Mais dois exemplos modernos sobre os quais li: Thomas Hardy, que perguntou qual a possível utilidade da oração para alguém, porque quando se ora, tudo o que se ora é ... e ele disse isto: “Coisa sonhadora, sombria e insana que transforma a atividade em um show de ídolos.” Para ele, Deus era algo sonhador, escuro e idiota. E o veredicto final de Voltaire sobre a vida foi "uma piada de mau gosto. Baixe a cortina, a farsa acabou". E H.G. Wells pintou em um de seus romances o quadro de um homem que foi derrotado pelo estresse, pela tensão da vida moderna. Sua única esperança era tentar encontrar comunhão com Deus. E o homem disse: “Eu preferiria pensar em refrescar minha garganta com a Via Láctea ou apertar a mão das estrelas”. Deus é insensível, indiferente.
Albert Einstein foi questionado certa ocasião em uma entrevista se ele acreditava em um Deus. Ele disse: “Definitivamente, há uma força cósmica que criou as coisas”. Mas também disse: “Nós nunca poderíamos conhecê-lo”. Isso, porém, não é verdade. Simplesmente não é verdade. Deus não é destituído de emoções. Deus não está totalmente desapegado. Acredito que Deus é visível para nós em Jesus Cristo quando carregou toda a paixão que poderia ser carregada. Ele sabe chorar, conhecer a tristeza, conhecer a alegria, conhecer a dor, conhecer todas as emoções humanas e, portanto, ele é um Pai amoroso que entende o que Seus filhos suportam. Dirigimo-nos a um Deus que não precisa ser apaziguado, mas que nos abraça como seus. Isso resolve a questão do medo. Eu não tenho medo de Deus Porque Jesus Cristo me tornou aceitável para Deus, não tenho medo dele. Sou filho dele agora. Ele me adotou em sua família.
Você pode ter lido a mais significativa de todas as lendas gregas que, supostamente, é a lenda de Prometeu. Prometeu era uma divindade no panteão dos deuses da Grécia. E nos dias antes de os homens possuírem o fogo, eles diziam que a vida era muito difícil. Sem fogo, sem calor, sem cozinhar e assim por diante. Então, com pena, certo dia Prometeu decidiu tirar o fogo do reino dos deuses e dá-lo aos homens de presente. Prometeu trouxe então o fogo e o deu ao homem na terra. Zeus, o rei dos deuses, ficou absolutamente furioso por ele fazer aquilo. Ele queria manter o homem em um estado muito baixo e humilde e não permitir que ele tivesse fogo. Então ele pegou Prometeu e o acorrentou a uma rocha. Ali, durante o dia ele sofria com a exposição aos elementos, calor, luz do sol e assim por diante. E à noite, o frio noturno. Além disso, Zeus estava tão furioso com Prometeu que enviou um abutre para arrancar seu fígado. Mas este continuou crescendo, e os gregos diziam que, toda vez que ele voltava a crescer o abutre vinha e o arrancava novamente.
Aí você pode perguntar: “Qual é o objetivo de tudo isso? Quem quer um Deus como Zeus?” Isso é típico dos antigos deuses. Eles são vingativos, têm ciúmes e raiva. Normalmente, em todo o mundo as religiões falsas com deuses falsos têm divindades que devem ser invocadas desesperadamente para apaziguar sua raiva. Isso é típico de todas as culturas ... em que existem falsos deuses. Mas Deus é nosso pai. Isso resolve a questão do medo. Também resolve a questão da esperança. As coisas vão mudar porque um pai amoroso fará o que um pai amoroso precisa fazer. Se pedirmos pão, ele não nos dará uma pedra. Se lhe pedirmos um peixe, ele não nos dará uma cobra. Mas tudo o que pedirmos ele fará por seus filhos por amor se isso se encaixar em sua vontade. Isso resolve a questão da esperança.
Podemos viver com esperança neste mundo porque sabemos que nosso Deus é um Pai amoroso. Também resolve a questão da solidão. Podemos não ter um amigo neste mundo como gostaríamos, mas temos nele um amigo mais próximo do que um irmão. Temos nele um Pai que nunca nos deixará ou nos abandonará. Existe uma intimidade de amor que elimina qualquer solidão. Um crente pode estar sem recursos humanos e ter o suficiente com a presença de Deus.
Em quarto lugar, resolve a questão do egoísmo. Observe o que Jesus diz: "Nosso Pai". E no versículo 11 está escrito “pão de cada dia” e “nossas dívidas” e “nossos devedores” e “nós em tentação” e “livra-nos do mal”. A questão é que todas as nossas orações envolvem uma família. Não estamos sozinhos nisso. Temos irmãos e irmãs que também são filhos de Deus, e tudo o que pedirmos deve envolvê-los também. Em outras palavras, não direi: “Deus, dá-me o que eu quero. Eu quero isso, não importa como isso afete as outras pessoas.”
Não sei como é na sua família, mas na nossa tentamos fazer coisas juntos pelos filhos. E se um de nossos filhos viesse com um pedido e quisesse algo especial de nós, talvez nos sentíssemos bem em dar isso a esse filho apenas se, de alguma forma, fôssemos capazes de fazer algo igual para os outros filhos. Em certo sentido, parte de ser pai é aceitar o fato de que nenhum filho existe isolado dos outros, mas todos fazem parte de uma família. Então minha vida de oração não será "Quero isso, exijo isso, dá-me isso", mas minha vida de oração é: "Pai, tu tens muitos filhos, o que quer que ache que é melhor para mim como um desses filhos, aqui está o meu pedido.” Isso resolve a questão do egoísmo: que ele é nosso Pai, não apenas meu.
Resolve em nossa vida de oração também a questão dos recursos. O modelo diz: “Pai nosso que estás nos céus”. Ele não está preso à terra. Ele não está limitado pelos limites da terra. Estamos acostumados a um declínio ... um declínio na quantidade de recursos. Ouvimos o tempo todo que os recursos naturais deste mundo estão diminuindo, e isso é verdade. Compreendemos a lei da entropia, de que as coisas estão diminuindo, que tudo se encaminha para a desintegração. Entendemos o que significa usar algo. Compra-se uma caixa cheia e em uma semana a caixa está vazia. Nós entendemos isso. Despeja-se a garrafa e ela fica vazia.
Mas em termos de recursos espirituais e eternos, isso nem existe. Existe o derramamento de todos os recursos sem perda nenhuma. Eu não entendo isso, apenas acredito. Então, quando vamos a Deus com nossas necessidades, o fato de que Ele está no céu, que é sobrenatural, acima dos recursos decrescentes deste mundo, isso significa que a questão dos recursos já está resolvida. Tudo o que precisamos receber dele por seu propósito está disponível. Também resolve a questão da sabedoria. Como é que se diz? “O pai sabe” ... o quê? "melhor." E quando vou a Deus como Pai, tenho de reconhecer que Ele sabe o que é melhor.
Também resolve a questão da obediência. A um pai deve-se obedecer. Até Jesus obedeceu ao Pai, e isso faz parte da relação pai/filho. Portanto, quando oro “Pai nosso”, o que estou realmente dizendo é: “Deus, reconheço que sou teu filho. Reconheço que me amas e que tenho acesso íntimo a ti. Reconheço que tens recursos absolutamente ilimitados que podem ser usados à meu favor. Reconheço que tens uma família maior do que eu, e que tem necessidades. Reconheço que farás o que é melhor para mim. Reconheço que preciso obedecer-te. E reconheço que tudo o que fazes, sabes melhor.” É assim que a oração começa. Começa com uma afirmação do fato de que Deus é meu Pai. Isso significa recursos. Significa obediência. Esse é o cerne da questão. Todos os recursos estão lá, e o chamado à obediência também existe.
A Bíblia diz que Deus sabe quando um pardal cai. Lembro-me de ter lido J.E. McFadden, que disse que, quando a Escritura diz que um pardal cai, no grego aquilo significa mais do que apenas uma queda. Não é só que Deus sabe quando um pardal cai no chão no sentido de morrer. Ele diz que é melhor traduzir: “Deus conhece todas as vezes em que um pardal salta”. Nada escapa ao conhecimento de Deus. Cada vez que o pequeno pardal dá saltos no chão, Deus o conhece, o vê e sabe disso.
E Deus que é o Deus que sabe tudo sobre o pequeno pardal é o mesmo Deus que sabe tudo sobre seus filhos amados. É por isso que alguém disse: “Quando dizemos 'nosso Pai', sabemos que não estamos perdidos na multidão”. Existe intimidade aí. Não estaremos implorando a alguma grande divindade soberana e apática em um lugar qualquer, mas a um Pai amoroso. Mas ao orar a ele devemos reconhecer que, como Pai, ele em o direito de nos dar o que ele deseja porque o Pai sabe o que é melhor. E somos responsáveis por obedecer a ele porque ele é nosso pai. Assim, a oração começa então com o reconhecimento geral de que vamos a um pai amoroso com recursos ilimitados, que sabe tudo melhor, e a quem devemos obedecer.
Vamos para o segundo pensamento nesta oração, não a paternidade de Deus, mas a prioridade de Deus. O versículo 9 diz: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”. Aqui está a primeira petição. A declaração inicial foi simplesmente uma saudação em oração. Aqui está a primeira petição. E a essência desta petição é a adoração. Deus, a primeira coisa pela qual oro é que teu nome seja santificado.
Eu estava lendo ontem à noite a biografia de Arthur Pink, um grande professor da Palavra de Deus. Uma das coisas que ele disse está muito, muito, muito relacionada a isso e acho prática. Ele disse: “Como é claro, então, o dever fundamental apresentado aqui na oração: o eu e todas as suas necessidades devem ficar em lugar secundário, e o Senhor deve ter a preeminência em nossos pensamentos, desejos e súplicas. Esta petição deve ter precedência, pois a glória do grande nome de Deus é o fim último de todas as coisas: todos os outros pedidos devem não apenas estar subordinados a este, mas estar em harmonia com ele e seguindo adele. Não podemos orar corretamente a menos que a honra de Deus seja dominante em nosso coração. Se nutrirmos o desejo de honrar o nome de Deus, não devemos pedir nada que seja contra o que a santidade divina possa conceder”, finaliza a citação.
Portanto, nossas orações são controladas em primeiro lugar por um reconhecimento de que Deus é o pai. Em segundo lugar, elas são controladas pelo reconhecimento de que o nome de Deus deve ser santificado. O que, porém, significa “nome”? “Santificado seja o teu nome”. Isso significa simplesmente tudo o que Deus é. Naquela época, o nome de alguém era de certo modo a soma de quem ele era. Ainda é assim até certo ponto.
Meu nome é mais do que apenas um nome. Ele realmente resume quem eu sou. Se alguém lhe disser “John MacArthur”, haverá nesse nome uma imagem de tudo o que eu sou. E assim é com Deus. O nome de Deus é a soma de tudo o que ele é. O nome de Cristo é a soma de tudo o que ele é. O nome representa a natureza, os atributos, o caráter, a personalidade de Deus. Então, o que esta petição diz é: "Pai, que tua pessoa, tua identidade, teu caráter, tua natureza, teus atributos e tua reputação sejam santificados."
Pois bem, mas o que significa ser santificado? Bem, significa simplesmente ser considerado sagrado. Quando pensamos em recintos sagrados, geralmente pensamos em ambientes enclausurados, longos mantos, cantos sombrios, auréolas, igrejas sombrias e mofadas, música mórbida, tradições cansadas. Santificado significa ser considerado sagrado. Que o seu nome seja considerado sagrado. A palavra hagiazō, tratar como sagrado, santificar, tem um sinônimo, doxazō, de onde obtemos a palavra "glória". Significa glorificar ou honrar.
Outro escritor, Orígenes, disse que também é sinônimo de hupsoō, que significa exaltar ou erguer. Exalta o teu nome, honra o teu nome, glorifica o teu nome, que teu nome seja elevado como sagrado. Essa é uma parte muito, muito básica da oração. Senhor, tudo que te honra, tudo que te glorifica, tudo que exalta o teu nome, tudo que te eleva. Veja, essa é a antítese do tipo de oração que é tão popular hoje, que diz: levanta-me, dá-me isso, dá-me aquilo, faze-me prosperar, faze-me ter sucesso.
A idéia toda é: Deus, que tu prosperes, que tu sejas glorificado, seja o que for que isso signifique. O nome divino Elohim significa Criador. O nome divino El Elyon é Deus Altíssimo; Jeová significa “sou o que sou”; Jeová-Jiré: o Senhor proverá; Jeová-Nissi: o Senhor nosso estandarte; Jeová-Rapha: o Senhor que cura; Jeová-Shalom: o Senhor nossa paz; Jeová-Roi: o Senhor nosso Pastor; Jeová-Tsidkenu: o Senhor nossa justiça; Jeová-Tsabaoth: o Senhor dos exércitos; Jeová-Shammah:, o Senhor está presente; Jeová- Mekaddishkem: o Senhor que santifica. Tudo o que Ele é está envolvido em todo o seu nome. E quando dizemos “santificado seja o teu nome”, pedimos que Deus seja glorificado.
O propósito de cada oração que você oferece é que Deus seja glorificado, exaltado, honrado, seja como for que ele possa ser. Isso, aliás, é uma proteção contra o abuso do sentimentalismo de “pai”. Dizer “Pai Nosso” isoladamente pode ser um pouco perigoso. Você pode abusar dessa ideia de pai. Você pode entender essa intimidade r dizerAba Pai, papai, papai, mas não entender o equilíbrio. E o equilíbrio é: "Sim, és meu Pai amoroso, mas santificado seja o teu santo nome."
Nenhum judeu jamais diria “Pai” sem acrescentar algo. Portanto, nas orações dos judeus, aqui estão alguns exemplos: “Ó Senhor, Pai e governante da minha vida; Ó Senhor, Pai e Deus da minha vida; Ó Pai, Rei de grande poder, Altíssimo, Deus Todo-Poderoso.” E as famosas orações diárias do Shemini Atzeret: “Ó Pai, Ó Rei, Ó Senhor,” a paternidade sempre equilibrada com aquelas expressões que representam sua grandiosidade.
O Dia da Expiação inclui dez dias de penitência que cercam aquele dia, e os judeus oram o grande “Avinu Malkeinu, que é o Pai Nosso, nosso Rei, que eles oram 44 vezes“Pai Nosso, Rei nosso ... Pai Nosso, Rei Nosso”. Se você apenas conhece a Deus como Pai, pode perder um pouco o equilíbrio. Deus também é seu rei. E ele tem um lugar santo e merece esse lugar santo. Seu nome deve ser elevado e exaltado em todos os sentidos.
Como, porém, fazer isso? Como orar para exaltar o nome de Deus? Simplesmente orando para que sua glória seja feita, que sua glória seja cumprida para Sua honra. Minha oração é: “Deus, que faças isso se te trouxer glória”. Você pode orar por uma criança ou sobre uma situação em sua família. Pode orar sobre um trabalho ou sobre um problema físico: “Senhor, seja o que for que te traga glória, faze isso, faze aquilo. O que quer que exalte o teu nome, tudo o que faça com que sejas glorioso, exaltado, tudo que leve as pessoas a vê-lo como o verdadeiro Deus”. Essa é a questão.
E eu digo a você que o Deus desta teologia contemporânea do tipo "declare e reivindique" não é o verdadeiro. O tipo de Deus que é um gênio utilitarista que tem de obedecer às ordens de todos não é o Deus da Bíblia, e você não glorificou o seu nome, não exaltou seu nome e nem o elevou. Você o puxou para baixo. O erro disso é desferir um golpe na própria natureza de Deus. É tomar o nome de Deus em vão. É ser irreverente. Não é apenas uma má teologia. É irreverência grosseira, terrível irreverência.
Como diz o catecismo de Lutero: "Como o nome de Deus é santificado entre nós?" Resposta: “Quando nossa doutrina e nossa vida são verdadeiramente cristãs.” Em outras palavras, Deus é glorificado quando minha vida reflete a verdade da Palavra de Deus, quando minha doutrina reflete a verdade da Palavra de Deus. Em outras palavras, creio corretamente nele e vivo corretamente em submissão a ele. Portanto, quando digo “santificado seja o teu nome”, estou dizendo que Deus se glorifique. E o que quero dizer com isso? Coloca-te em evidência. E como ele vai fazer isso? Por meio da minha vida. Mostra-te ao longo da minha vida, o que quer que isso signifique para mim na vida ou na morte, na pobreza ou na riqueza, na doença ou na saúde. Seja o que for, coloca-te em vidência ao longo da minha vida. Essa é a oração.
Muitos anos atrás, Gregório de Nissa pregou na igreja primitiva um sermão sobre o tipo de pessoa que santifica o nome de Deus, que vive para a glória de Deus, que vive para honrar a Deus, para exaltar Deus, e ele disse o seguinte sobre essa pessoa: “Ela toca a terra, mas levemente, com a ponta dos pés, pois não é engolfada pelos prazeres desta vida, mas está acima de todo o engano que vem pelos sentidos. E assim, embora na carne ela se esforce pela vida imaterial, ela considera a posse das virtudes as únicas riquezas, a familiaridade com Deus a única nobreza. Seu único privilégio e poder é o domínio de si mesma para não ser escrava das paixões humanas. Fica triste se sua vida neste mundo material for prolongada. Como aqueles que estão enjoados, ela se apressa para chegar ao porto de descanso.”
É assim que se vive. Não estamos vivendo aqui para ser prósperos neste mundo. E aquele que vive para a glória de Deus, aquele que santifica o nome de Deus quer que Deus seja glorificado, Deus seja exaltado. Está mais preocupado em orar pela glória de Deus do que por sua própria situação, sua própria glória, sua própria prosperidade. Deseja apenas se esforçar pelo imaterial e não ser engolfado, disse ele, "pelos prazeres desta vida". Quem glorifica a Deus sofre mais com as coisas que desonram a Deus, sofre mais com o que está acontecendo de errado com o mundo e como ele trata a Deus do que como ele mesmo é tratado. É por isso que Salmo 34.3 diz: “Magnifica o Senhor comigo e juntos exaltemos o Seu nome”. É isso que importa na oração.
Em terceiro lugar, a oração não é apenas uma questão de reconhecer a paternidade e prioridade de Deus, mas o programa de Deus. O versículo 10 diz: “Venha o Teu reino.” É uma oração pelo avanço do reino de Deus. Isso marca todo verdadeiro homem e mulher de Deus ao longo da história do reino. Os grandes do reino de Deus, os santos de todos os tempos, foram pessoas que se preocuparam muito com o avanço do reino de Deus, não com a construção de seu próprio império nem com o enchimento de seus bolsos.
Outro dia me perguntaram como avaliar um líder cristão muito conhecido na América, um homem que respeito como pessoa. Ele disse: "Como você avalia aquele homem?" Eu disse: “Bem, acho que há duas maneiras principais de avaliar o caráter de um homem que não conheço pessoalmente. A primeira é: Por quanto tempo pessoas boas e piedosas ficam com ele? Em outras palavras, ele está em um nível de liderança em que tem muitas pessoas trabalhando ao seu redor? Por quanto tempo pessoas boas e piedosas ficam com ele? Essa é a medida de seu caráter.
“E em segundo lugar, quanto de seu sucesso acaba em seu próprio bolso?” Se homens bons e piedosos ficarem com ele por muito tempo, isso significa que os homens bons e piedosos encontram nele um homem com a mesma opinião. E se, depois de muito sucesso, ele parece não ter se entregado excessivamente, a indicação é que sua preocupação não é construir sua conta bancária, mas o reino. Esses são os tipos de perguntas que você deve fazer.
Em minha vida de oração e em sua vida de oração, o ponto principal não é como isso ajudará o império de John MacArthur, a empresa de John MacArthur, os esforços de John MacArthur, mas como isso ajudará a expansão do Reino. Esse é o resultado final. O Talmude diz que a oração na qual não há menção do reino de Deus não é oração de forma alguma. Como isso vai levar o reino avante? “Constrói o teu reino!” Esse é o cerne da nossa petição.
Não oremos apenas pelo sucesso do nosso empreendimento. Não devemos orar apenas por nossa pequena família e suas necessidades específicas. Não oramos apenas por nossa igreja ou nosso estado. Estamos diante de uma eleição na terça-feira, e tenho certeza de que estamos orando por essa eleição e por aquilo que vai acontecer. Estamos pensando nas coisas em nível nacional e orando pela liderança da nação. Mas essa não é a soma de nossas orações.
Em tudo isso, o resultado final é: "Senhor, apenas venha o teu reino." Isso é tudo. Esse é o quadro geral. Não é nosso reino mesquinho, mas o reino dele. Essa é uma perspectiva muito útil no ministério, para que você não comece a orar apenas por suas próprias coisinhas, seu pequeno mundo, sua própria igreja, seu próprio ministério de rádio, suas próprias fitas, sua própria faculdade e seminário, seus próprios pequenos empreendimentos, mas aquilo pelo que você realmente ora é que venha o reino, de que maneira e por meio de quem Deus desejar que ele venha.
O que queremos dizer com isso? Qual é o reino? É uma frase comum. Em primeiro lugar, é bastante simples dizer que o reino é simplesmente a esfera de salvação na qual Cristo governa. Sim, há um sentido em que Deus é o Rei universal de todo o universo e que ele governa todo o universo o tempo todo, sempre governou, sempre governará. Mas o que ele diz aqui não se refere tanto ao reino universal, mas ao reino de Cristo que governa o coração dos redimidos. É realmente uma oração pela salvação de pessoas perdidas. Que seu reino venha por meio da conversão de almas perdidas.
O reino, disse Jesus, está no meio de vocês. Está em você. O reino é a esfera onde Cristo governa. E onde Cristo governa? Ele é o governante no coração de todos que colocaram sua fé nele, certo? Ele é meu Senhor e Rei. Ele é seu Senhor e Rei. Esse é o seu reino. Seu reino virá à terra no milênio. Seu reino encherá o universo no novo céu e na nova terra. Mas mesmo assim o reino ainda será a esfera de seu governo nos corações dos homens por meio da salvação.
E a oração é esta: tudo o que promova o teu reino, ó Deus, tudo o que promova os elementos do reino mencionados em Romanos 14:17. O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo, seja o que for que leve Cristo a estabelecer seu reino na terra para ser todo glorioso, que venha! Em outras palavras, essa teologia de declare-e-reivindique é tão míope, é tão autoindulgente, é tão pequena em seu pensamento. Tudo que ela vê sou eu e o que eu quero e não tem visão para uma causa maior. Senhor, promove o teu Reino mesmo se isso significar que eu perca tudo. Essa é a questão.
Frances Havergal escreveu lindamente o seguinte verso para Cristo. “Ó, a alegria de ver-te reinando, a Ti meu amado Senhor, em cada língua teu nome confessando, adoração, honra, glória e bênção trazidas a ti em um acorde. Tu, meu Mestre e meu amigo, vindicado e entronizado, até o extremo mais remoto da terra glorificado, adorado e possuído.” E então a oração de um verdadeiro santo. Não estou preocupado comigo. Quero que tu sejas honrado e glorificado e que teu Reino seja estendido aos corações dos homens em toda a terra para que em todos os lugares sejas glorificado, adorado e possuído. Essa é uma oração como Jesus nos ensinou a orar.
Portanto, o centro da oração é a adoração. Procuramos um Pai amoroso, mas isso significa aceitarmos que ele saiba o que é melhor e, em obediência, respondamos a ele. Em nossas orações, a primeira coisa a buscar é a sua glória. A segunda é a expansão do seu reino, e a terceira é que sua vontade - o propósito de Deus - seja feita. Versículo 10: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Sabemos que no céu sua vontade é feita, certo? Por que todo o que não faz sua vontade no céu é o quê? Excluído. Os anjos caídos foram expulsos. "Seja feita a tua vontade." Isso significa: "Deus, cumpre o teu propósito". Nunca faço uma oração sem dizer: "Senhor, faz a tua vontade." E não me vacilo em orar dessa maneira. Isso é tudo o que eu quero. Não quero nada que não seja da vontade de Deus.
Alguém me disse: "O que aconteceria se de repente você precisasse desligar todas as estações de rádio?" Ótimo. Se essa é a vontade de Deus, tudo bem. Eu não me importo. Eu não preciso fazer mais. E fazer menos pode até ser bem agradável. Mas insistiram. Já me perguntaram isso antes. “O que aconteceria se o Senhor simplesmente o retirasse do seu ministério?” Ótimo. Se o Senhor quiser tirar, ele pode tirar. Vou emprestar a resposta de Jó: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou ... o quê? “Bendito seja o nome do Senhor.” Ele não precisa de mim. E se ele decidir fazer uma mudança, tudo bem, porque não quero fazer nada que não seja a sua vontade. Eu não tenho nenhuma agenda pessoal.
Muitas vezes me perguntam: "Quais são seus objetivos para o ministério?" Eu realmente não tenho nenhum, só quero acordar de manhã e fazer o que tenho de fazer naquele dia e confiar em Deus e que ele está me guiando. Mas não tenho uma grande agenda de coisas para tentar realizar. Só quero fazer a vontade de Deus e ficar na posição de fazer isso. Não estou resignado a isso. Há pessoas que dizem “seja feita a tua vontade”, mas dizem isso com amargo ressentimento. "Eu sei que vais mesmo fazer o que farás."
Omar Khayyam escreveu aquele famoso poema “peças indefesas do jogo que ele joga”, falando de Deus. Somos peças indefesas do jogo que ele joga. “Neste tabuleiro de damas de noite e de dia move-se para cá e para lá, verifica e mata, e um por um coloca de volta no armário." Uma visão trágica de Deus. Portanto, existem aquelas pessoas que rangem os dentes em amargo ressentimento e dizem “seja feita a tua vontade” fatalisticamente. Não é isso que queremos dizer. Depois, há aquelas pessoas passivas que simplesmente renunciam: "Bem, se é isso que vais fazer, Deus, que seja." E vão para um canto, chupam seu polegar espiritual e definham, gemem e gemem por isso ser tão trágico.
E ainda há aqueles cujo “seja feita a tua vontade” vem de sua teologia. São os tipos hipercalvinistas, que pensam que Deus de qualquer modo é maior do que eles, então de que adianta tudo, afinal? Tudo vai ser do jeito que será. É outro tipo de fatalismo. O primeiro é uma espécie de fatalismo filosófico. O segundo é uma espécie de fatalismo do tipo “pobre de mim”. E o terceiro é uma espécie de fatalismo teológico. Mas não acredito que dizer “seja feita a tua vontade” signifique que simplesmente desistamos.
Eu gosto do que David Welles disse: “Em essência, a oração peticionária é rebelião. Não é rebelião contra Deus, é rebelião contra o mundo e sua queda, a recusa absoluta e imorredoura em aceitar como normal o que é totalmente anormal. É neste seu aspecto negativo a recusa de toda agenda e todo esquema, toda interpretação que está em desacordo com a norma originalmente estabelecida por Deus”.
Eu posso orar me rebelando contra o jeito como as coisas são, rebelando-me contra o mal, rebelando-me contra o pecado, rebelando-me contra a desonra de Deus. Não vou aceitar isso. Não vou estabelecer uma trégua com o que está errado. Não vou perder o ânimo. Serei como as almas sob o altar: “Quanto tempo, ó Senhor, até que faças algo? Senhor, glorifica o teu nome, exalta o teu nome! ”Posso orar a Deus: “Faze isso, Senhor. Imploro que o faça porque aquilo te desonra. Muda essa circunstância, traze glória para ti mesmo, traz honra para o teu nome.” Não tenho nenhum problema em ousar isso.
Mas, ao mesmo tempo, tudo o que Deus traz tenho de aceitar. E não o aceito com amargura nem passivamente. E eu não aceito isso simplesmente como uma questão teológica. Aceito isso como sua vontade. E não só isso, é o seu melhor por enquanto. Mas você pode alegar: “Bem, às vezes isso não parece certo”. Claro, porque você não pode ver tudo, certo? Você simplesmente não tem uma visão geral.
E mesmo que Deus seja Meu Pai e me ame, e mesmo que eu lhe peça pão e ele não me der uma pedra, e se eu lhe pedir um peixe ele não me der uma cobra, mesmo que Deus tenha recursos ilimitados para pôr à minha disposição, essas coisas são dadas quando lhe derem glória, quando expandirem seu reino e quando cumprirem sua vontade. E assim minhas orações são sempre controladas por essas coisas. É assim que Jesus nos ensinou a orar.
Então, a finalidade da oração não são tanto respostas tangíveis. A finalidade da oração é um aprofundamento da vida de dependência e uma sensação maior de fazer parte do Reino de Deus e do que Deus está fazendo. A oração é minha inscrição para cumprir o dever de fazer o que Deus deseja para sua própria glória. Agora, quando eu tiver tudo em ordem, então posso dizer: "Senhor, dá-nos hoje o pão de cada dia." Então posso pedir minhas necessidades e nada mais do que necessidades. “E, Senhor, perdoa-nos nossas dívidas ou pecados, como perdoamos aos outros.”
Primeiro eu peço que minhas necessidades sejam supridas. Em segundo lugar, que meus pecados sejam perdoados. E em terceiro lugar, "não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal." A terceira coisa que peço é: "Senhor, protege-me." Oramos pelas necessidades. Oramos por limpeza. Oramos por sua proteção. Mas tudo dentro do contexto de sua glória ... termina no versículo 13 ... seu Reino, seu poder. Esse é o foco. Portanto, oração é adoração, e qualquer coisa menos do que uma oração de adoração que dá a Deus o direito de ser Deus, glorificar seu nome, expandir seu Reino e fazer sua vontade não é oração de forma alguma. Pode ser chamado de oração. Não é oração. É apenas um exercício de autoindulgência.
E qualquer coisa que presuma, qualquer teologia que presuma que Deus tenha de dar a você o que você exige toma seu nome em vão, é irreverente e desonra Deus imensamente ao presumir que ele seja diferente do que é. E como eu disse no início, o erro dessa teologia é que ela faz do homem Deus e de Deus, homem. O homem se torna o soberano, Deus o servo. Então, quando orarmos, oremos desta forma, disse Jesus, para que Deus seja honrado. Vamos curvarnos juntos em reverência.
Pai, agradecemos-te por uma palavra tão clara para nós. Nunca queremos nada que não seja a tua vontade para nós. Não entendemos todo o mistério disso e acreditamos que a oração fervorosa eficaz de um homem justo tem muito valor. Acreditamos que tu respondes à oração. E se um juiz iníquo fez diante de contínuas súplicas o que é certo, quanto mais fará um justo Salvador por aqueles que o amam! E se um homem sonolento finalmente abrir a porta para alguém que bate e bate e bate, mesmo que ele a abra com raiva, quão rápido tu fornecerás o que precisamos, sendo um Pai amoroso?
Sim, Senhor, acreditamos que nossa oração será atendida mesmo quando lemos nos Salmos: “Eu chorei e Tu me respondeste”. Mas, Senhor, ajuda-nos a saber e a orar para que a resposta esteja de acordo com a santidade de teu nome, a expansão de teu reino e a maravilhosa realidade de tua vontade sendo cumprida. Para esse fim oramos até mesmo nesta manhã para que, como resultado de nossa adoração juntos, teu nome seja santificado, elevado, exaltado e glorificado. Teu reino será expandido, pois ainda hoje alfuns abrirão seu coração para Cristo. Tua vontade seria feita.
Obrigado pela confiança, Senhor, de que quando te colocarmos no lugar certo, nossas necessidades serão atendidas, haverá limpeza, proteção e orientação serão nosso destino. Não poderíamos pedir nada mais do que isso. Quaisquer bons presentes que tu decidas nos dar, nós os aceitamos com agradecimento. Por amor de Jesus, oramos essas coisas. Amém.
FIM

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